A maneira pela qual questões identitárias atravessam a relação entre produtores de conteúdo e audiências em vídeos sobre ciência publicados no YouTube Brasil é tema de novo artigo publicado no Journal of Science Communication – América Latina (JCOM AL).
Os autores investigaram de que modo questões identitárias contribuem para ampliar ou restringir o engajamento destes vídeos, explorando o argumento de que gênero, raça e faixa etária são elementos estruturantes das dinâmicas de visibilidade, reconhecimento, poder e circulação de sentidos. Para tanto, foi realizada uma coleta de dados na plataforma YouTube Brasil, resultando em um corpus composto por 134 vídeos.
Os resultados evidenciaram que a identidade é uma variável de inclusão/exclusão no mercado de influência em plataformas como o YouTube. Além disso, foram observados aspectos promissores no que diz respeito à diversidade — em termos de gênero, raça e faixa etária — das vozes que falam sobre ciência em plataformas de redes sociais.
Por outro lado, verificou-se, mais uma vez, o quanto determinados padrões arraigados na nossa sociedade seguem dificultando a equidade também na intersecção entre a comunicação midiática e a ciência.
Assim, embora o YouTube pressuponha uma igualdade técnica de acesso à produção e difusão de conteúdos, os resultados indicam que essa igualdade não se traduz em igualdade simbólica epistêmica, uma vez que marcadores sociais continuam a modular a distribuição de visibilidade e engajamento.
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