A crise climática nas plataformas digitais: circulação de sentidos nos debates públicos sobre desastres no Brasil e na Espanha

A articulação de sentidos em plataformas digitais sobre eventos climáticos extremos é tema de novo artigo publicado no periódico Observatorio (OBS*).

Os autores tiveram como objetivo identificar aproximações e disparidades nas discussões sobre desastres de magnitudes semelhantes em plataformas e países distintos. Para isso, analisaram os debates públicos em torno das enchentes de 2024 em Valência (Espanha) e no Rio Grande do Sul (Brasil). Foram analisados conteúdos brasileiros e espanhóis com mais interações no Facebook e no X/Twitter, codificados em cinco categorias: Meios, Fontes, Temas, Enquadramentos e Veracidade. 

Os resultados indicam que, em ambos os cenários, os interagentes se engajaram especialmente em torno de conteúdos jornalísticos e do tema “iniciativas de ajuda”. No entanto, observou-se notável variação nos enquadramentos: maior personalização e foco em responsabilidade no Brasil, e uma ênfase em conflito político e interesse humano na Espanha. Além disso, verificou-se a baixa presença, em ambos os países, tanto de conteúdos que abordam as causas estruturais dos eventos, em relação ao debate mais amplo da crise climática, quanto de fontes especializadas da área científica. De acordo com os autores, embora as plataformas operem globalmente, as diferenças entre elas e entre os contextos políticos conformam diretamente os sentidos preferenciais em circulação no discurso público.

Leia o artigo aqui.

Imagem: Enchentes causam estragos em bairros de Pelotas – Rio Grande do Sul, 2024; Myke Sena/DPU

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