A maneira pela qual os objetivos dos zoológicos se refletem nas conversas de famílias visitantes é tema de novo artigo publicado no periódico Anthrozoös.
As autoras buscaram compreender como esses objetivos se refletem nas conversas em tempo real das famílias no Zoológico Buin Zoo, no Chile. Dez famílias, cada uma composta por pelo menos um adulto e uma criança (com idades entre 6 e 10 anos), participaram do estudo. Elas visitaram o Buin Zoo e gravaram suas visitas utilizando uma câmera acoplada ao peito, posicionada em primeira pessoa. Posteriormente, os vídeos foram transcritos e analisados qualitativamente em três categorias preestabelecidas: entretenimento, conservação e educação. Uma categoria adicional emergiu durante a análise: questões éticas e julgamentos negativos.
Os resultados mostraram que conversas sobre entretenimento ocorreram em todas as famílias e dominaram a interação. Conversas educativas, embora menos frequentes, também surgiram em todas as dez famílias, por meio de três canais: mediação da equipe, sinalização de exposição e apoio dos pais. No entanto, conversas explícitas sobre conservação foram raras (duas famílias). Além disso, questões éticas ou julgamentos negativos sobre zoológicos foram discutidos em metade das famílias participantes.
De acordo com as autoras, os objetivos dos zoológicos foram refletidos de forma desigual nas conversas familiares, revelando nuances dos visitantes que pesquisas ou entrevistas, por si só, não conseguem captar. Com base nesses resultados, as pesquisadoras discutem práticas para o design e a interpretação das exposições, visando ampliar os objetivos educacionais e de conservação, sem deixar de lado o entretenimento.
Leia o artigo aqui.
Imagem: Panda-vermelho (Ailurus fulgens) no Buiz Zoo, Chile/Wikicommons
