A representação da ciência e dos cientistas na exposição de longa duração do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), localizado na região da Pequena África, no Rio de Janeiro, é tema de novo artigo publicado na revista Temporalidades.
A partir da Análise de Conteúdo, as autoras analisaram os textos e imagens da exposição “Pretagonismos: Memória, Orgulho e Identidade”. O material foi interpretado com foco na forma como são construídas as representações de “ciência”, “cientista” e “produção de conhecimento”. A análise seguiu os princípios de exaustividade, coerência categorial e segmentação temática, permitindo identificar não apenas os conteúdos explicitamente apresentados, mas também os silenciamentos e ausências que estruturam o discurso museológico.
Os resultados evidenciaram avanços importantes na construção de uma proposta museológica comprometida com a valorização da memória e dos saberes afro-brasileiros. De acordo com as autoras, a exposição propõe uma ruptura com discursos tradicionais, ao destacar o papel ativo da população negra na história e na produção de conhecimento. O museu articula território, identidade e epistemologias negras em uma narrativa que prioriza a diversidade e a justiça cognitiva. Embora a comunicação do conhecimento científico ainda apresente pontos que podem ser aperfeiçoados, as pesquisadoras destacam o potencial do MUHCAB como espaço de reflexão crítica, fortalecimento das lutas sociais e enfrentamento ao racismo estrutural por meio de novas formas de contar a história.
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Imagem: Vista da Sala Aguinaldo Camargo
